No dia 21/06 - Sexta-feira, ocorreu uma passeata que vai ficar na história da cidade de Meriti por ter reunido centenas de jovens estudantes nas ruas em protesto contra a corrupção na cidade.
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| Cartazes no carro-de-som expressavam a revolta popular. |
Os estudantes começaram a aparecer em grande quantidade depois das 16h, na praça dos Três Poderes, e partiram para a oficina de cartazes que estava rolando lá. A concentração começou a ganhar corpo e o carro-de-som chegou para animar a galera reunida. Depois das 17h, a passeata finalmente foi puxada e saímos pela Av. Presidente Lincoln em direção à Praça GIL (infelizmente mudada para praça JAL, em homenagem ao ex-dono da Flores). A manifestação reuniu pouco mais que 1000 pessoas e por onde passávamos, as pessoas nos apoiavam de suas casas e pedíamos para piscarem a luz se realmente estavam a favor, e elas piscavam - é, algumas apagavam a luz, mas foi a minoria. Após sairmos da praça GIL, voltamos para a Prefeitura e o ato terminou.
Agora vamos aos esclarecimentos sobre esse protesto:
O Ato do Movimento Basta (como estava no facebook), foi puxado pela UME (União Meritiense dos Estudantes). Nós da UMES nada temos a ver com o pessoal da UME. Participamos do ato pois precisamos somar e nos unir pelos nossos direitos. Bom, a UME foi uma entidade criada depois de nós para disputar o movimento estudantil na cidade, mas não é reconhecida em nenhum sindicato, em poucas escolas, nem reconhecida por vários órgãos na prefeitura, muito menos pela entidade estadual - AERJ, nem pela NACIONAL - a UBES, a qual nós somos filiados desde 2011 e guardamos conosco todos os documentos do Conselho em que fomos integrados à União Brasileira dos Estudantes Secundaristas.
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| Estudantes na frente da Prefeitura - Final do ato. |
No evento criado no facebook dizia que esse era um protesto do povo e que a Ume estava apenas cumprindo com um papel social irrecusável. Porém, durante 98% do ato, só 3 pessoas puderam falar e entre elas, nem o presidente da entidade falou. Muito pelo contrário, quem interviu durante a maior parte da manifestação nem era estudante e quando era, era estudante universitário que nem estuda na cidade ou faz parte da entidade.
Fora isso, o ato que era pra ser do povo não o foi. Nenhuma das pessoas da manifestação puderam expressar seus sentimentos e falar ao carro-de-som. Os dirigentes da Entidade Estadual dos Estudantes (AERJ) foram boicotados e não puderam falar aos estudantes. Houve uma falta de sentir o que os manifestantes queriam e por isso os organizadores foram diversas vezes vaiados. O que mais nos deixou abismados, foi que quando a passeata estava no final, a confusão na Prefeitura começou e os organizadores deixaram mães, estudantes e crianças para trás, no meio de bombas e tiros, e se preocuparam apenas em ir para suas casas.
Na avaliação que fizemos, houve uma imensa falta de preparação para o ato, tanto que no dia do acontecimento, os organizadores não sabiam que era ponto facultativo na Prefeitura e Câmara. A reunião que decidiu o rumo da passeata foi feita no mesmo dia e horário da passeata dos 300 mil no RJ. Foi uma espécie de boicote à manifestação principal do Brasil e ainda por cima, na organização do protesto em Meriti, faltou a indispensável presença dos sindicatos, movimentos populares e ongs, setores importantes da luta popular. E, durante o protesto, a falta de democracia foi gritante. Em qualquer ato, as pessoas sempre têm a oportunidade de intervir, mas nesse, o próprio povo meritiense não pôde falar, quanto mais o movimento estudantil Estadual.
Inegavelmente, o movimento do dia 21 ficou marcado para muitas pessoas e deu um espírito de união para os habitantes da cidade. Temos que construir um ato verdadeiramente organizado e democrático, pois sair bem na foto não conquista nossos direitos. Temos que fazer uma manifestação consequente, isso nos dá espaço para poder criar até mesmo um fórum contra o aumento de passagens em Meriti e caminhar para criar também um Fórum da Baixada Fluminense.
Sem uma organização de vanguarda, a luta do povo é cega e inconsequente.





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